A Necessidade de Compartilhar (coisas do ser humano)

fevereiro 22, 2009

A necessidade de compartilhar (coisas do Ser humano)

 

No agreste da vida, estava eu, como sempre sozinha, dentro de um ônibus bairro a bairro, quando um sinal ficou vermelho.

E aí, um rapazinho de muito boa aparência (não era um menino de rua, de forma alguma; estava mais para um pequeno artista), colocou-se em frente aos carros e começou a fazer malabarismos com uma pequena bola de vidro.

Em movimentos fluidos e harmoniosos, ele encantava a uma platéia anônima, passando a impressão que a bola flutuava no ar. Fiquei-me perguntando o que ele ganhava com toda aquela exibição de talento e harmonia, pois com certeza, não eram aquelas poucas moedas suficientes para nada. E, no entanto, ele se mostrava tão satisfeito.

No final deste mesmo dia, tive a resposta esclarecedora. O objetivo principal, não eram as moedas, mas sim o compartilhar o encanto, a harmonia do movimento e se sentir em conexão com outras pessoas na emoção daquele momento.

Não adianta ser artista e criar coisa alguma, se não for possível  compartilhar com outros essa emoção.

Não importa se a platéia é anônima. O importante é que ela exista, e se emocione. O Ser humano necessita compartilhar. Só existe prazer em se fazer algo, se for para oferecer a alguém. Só existe prazer em um sentimento, se o mesmo puder ser compartilhado. Só existe corrente positiva de pensamento, se houver mais de um para formar a corrente. As perguntas necessitam respostas para fazerem sentido e não se perderem no ar, como uma grande interrogação. Do contrário, teremos a impressão de estarmos sós em um imenso vazio, onde só o eco de nossa própria voz nos responde com as nossas perguntas ao invés de respostas. E sem compartilhar, a humanidade caminha cada vez mais pra a solidão e o egoísmo, de não querer dedicar ao outro nem uma pequena parcela de si, ou de seu precioso tempo.

         Então pude entender e bem dizer o pequeno artista do sinal. E agradecer pelo encantamento proporcionado, e o desprendimento pelo tempo doado, a tantos anônimos, incluindo a mim.

 

 

 


Absurdo dos Absurdos

fevereiro 22, 2009

Absurdo dos absurdos

Recentemente descobri, que além de todas as seqüelas e limitações que um câncer pode acarretar, existe mais uma totalmente absurda e insuspeita, pois só a descobrimos, quando já é fato consumado e sem retorno. Apesar do SUS ( Sistema Único de Saúde), ser Nacional, quem teve um câncer e conseguiu não morrer,(devido a demora no atendimento, falta de vaga e outros entraves burocráticos, pois o tempo provável para se conseguir uma cirurgia é de mais ou menos um ano, depois que se descobre o câncer); Se torna prisioneiro do Estado brasileiro onde a doença aconteceu, pois se mudar-se de Estado não tem direito a acompanhamento médico pelo SUS em outra região. O acompanhamento deve ser feito por no mínimo 5 anos, com remédios caros e que devem ser fornecidos pelo SUS mensalmente e exames periódicos que se encontram completamente fora do alcance da maior parte da população brasileira, que é carente de recursos, e por isso mesmo é uma população migratória, em busca de novas oportunidades, basta tomar-se como exemplo a nossa maior metrópole (São Paulo), onde se encontra pessoas de todas as partes do Brasil, tentando uma vida melhor. Ocorre-me então uma difícil questão: Morrer de câncer?Morrer a mingua por falta de acompanhamento? Ou ficar prisioneiro pelo resto da vida, ( abrindo mão do Direito de Ir e Vir tão proclamado na Constituição) e por falta de  oportunidade e de Tédio?


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