Ano do Parque

novembro 27, 2009

Este foi o ano do Parque.
E com a inocência dos pequenos, me entreguei aos folguedos.
Deixei-me nas mãos do Destino, como se fosse ele uma carinhosa
Babá, e não acreditei quando os adultos diziam que eu ia cair e me machucar. Como nos pequeninos, em mim também, não existe o medo e a sutileza dúbia, e como eles também, pensei que os adultos são sinceros, responsáveis e incapazes de atos inconseqüentes, como fazer promessas que nem pensam cumprir.
Então me deixei empurrar no balanço, e foi ótimo sentir no rosto o vento da esperança, a alegria de sentir o corpo solto no espaço, o friozinho da expectativa no estômago, quando a cadeira do balanço era empurrada para frente. No tobogam do parque da vida, dei tantas voltas, fiquei agarrada as barras, gritei de alegria, chorei de emoção, fiquei de cabeça pra baixo, desafiando a gravidade, vi o mundo passando tão rápido, que achei que estava suspensa no tempo. Mas foi na gangorra que fiquei mais tempo. Uma hora lá em cima, eufórica, feliz apesar de saber que estava lá em cima, porque meti os pés no chão e me joguei pro alto sem medo. Outra hora lá em baixo, porque para a gangorra subir, precisa de alguém do outro lado, e eu estava sozinha, logo a força da gravidade me jogava no chão com toda a força. E eu caia, me machucava, (como me avisaram os adultos), eu chorava, e teimosamente voltava pra gangorra. E começava toda a brincadeira de novo. Lá em cima…Lá em baixo… Chorando… Sorrindo… Até que descobri, que se conseguisse ficar bem no meio da gangorra, eu não caia, mas também não subia, e acabei me cansando dessa brincadeira chata, de ficar bem quietinha e equilibrada, para não cair. Coisa mais sem graça, é como brincar de estátua.
Aí fui correndo pro escorregador. Gastei todas as minhas energias, galgando cada degrau para chegar no topo, mas qual não foi minha decepção. Quando pensei que tinha alcançado o ponto mais alto, me senti empurrada, e comecei a escorregar vertiginosamente, até me estatelar toda desconjuntada no chão.
E ainda tive que ouvir os adultos se vangloriando: Nós bem que te avisamos, que você ia cair e se machucar.
À minha criança crédula, atrevida e destemida, só restou lamentar, o fato dos adultos só serem sinceros para prever desenganos, catástrofes e quedas. E em todo o resto, serem dúbios, reticentes e omissos. E chorei… e ainda choro. Mas outros anos virão. Talvez muitos, quiçá não. E não vou mais ao parque, porque não confio mais no destino e nem nos adultos.
Mas vou tentar imitá-los, e fingir que as Festas que se aproximam, são motivo de alegria, apesar de saber que milhões de crianças vão chorar de tristeza e decepção, porque foram enganadas pelos adultos, com uma história de um bom velhinho que lhes realizaria o sonho do presente mais desejado. E elas nem um pedaço de pão terão, para saciar a fome, quanto mais algo que alimente a alma sofrida.

Boas Festas, a todos que conseguirem ser felizes, apesar da miséria de tantos, do sofrimento de outros e principalmente da indiferença de todos por todos.

Desencanto

“Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre”.

                                                                (Manuel Bandeira)

Fonte das Figuras: www.trtube.com; pt.wikipedia.orgwiki; www.ccva.org; www.fisicaevestibular.com;freetas.blogspot.com; t; giegu.wordpress.com; kotodianguako; pt.wikipedia.orgwiki

 


Ausência

novembro 21, 2009

Incidência essa que nunca deveríamos alimentar, pois o certo seria agradecer a todos que se lembram de nós, que nada somos, e que por certo nada fizemos de especial para merecermos a lembrança carinhosa de outrem. A ausência, magoa, fere e acima de tudo mostra uma inequívoca falta de interesse, por aqueles que se lembram de nós.
Por isso mesmo, é que estou aqui hoje para justificar a minha própria, e pleitear o perdão de todos aqueles que tiveram o carinhoso gesto de acessar essa página, em busca de minhas palavras. E por falta delas, é que me encontro ausente, pois há momentos na vida que ficamos mudos, com os caminhos que se nos apresentam, e necessitamos nos recolhermos em nós mesmos, para encontrar o equilíbrio, e voltar a interagir com o meio que nos cerca. Pois sabemos que a única ausência plenamente justificada , e que não precisa pedir perdão é a Morte. Doravante, tentarei me ausentar o mínimo possível. As vezes se torna muito difícil encontrar palavras para se fazer presente. Porém tenho consciência da minha responsabilidade em oferecer-lhes as palavras que os incentivei a procurar.
Sendo assim, a ativista que mora em mim, aproveita o fato de ser hoje “O Dia da Consciência Negra no Brasil”, para reeditar a Crônica “Igualdade” e a Poesia “Barack Obama”, e chamar a atenção de todos, negros ou não para a necessidade de solidariedade, sinceridade, honestidade e igualdade, entre os povos de nossa dita Humanidade.

“No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos”.

.            ( Martin Luther King)

Fonte das Figuras: http://www.dicio.com.br it-it.facebook.com

Um novo Lema para o Mundo

                                                            “Igualdade”

Eu Viveria outra vida, com todas as dificuldades multiplicadas, para estar aqui agora e ver acontecer este momento único nos anais da História.
Um irmão negro chegando ao cargo mais alto do Planeta.
Uma nova estrela surge no firmamento, e deveria ser incorporada a todas as Bandeiras do Mundo. Ela é a estrela da Igualdade, que brilha intensa hoje, com o maior dos incentivos a todos os povos. O impossível não existe. A Justiça acaba se fazendo. A superação traz vitória. Podemos acreditar que até a Paz no Oriente Médio é possível. É com o coração embargado de emoção que me prostro de joelhos para agradecer, thank God . Não importa a nacionalidade, o importante é que uma nova Era se inicia hoje trazendo ventos de esperança para um mundo melhor. De hoje em diante a cor da pele não será mais um critério de avaliação.
“Salve o Presidente” Que Deus ilumine este Homem e o proteja.
Quem sabe agora outras discriminações comecem a ser repensadas?

 

Barack Obama

Martin Luther King, esteja onde estiver
Deve estar muito feliz e contente
Pois o dia chegou, em que se julgamentos houver
Dirão que seus filhos, parecem com o Presidente.

Mais que isso, na Raça, irmãos eles são,
E na vitória esmagadora sobre o preconceito.
Raça de gente forte, que sobreviveu a escravidão
Com coragem e muito orgulho no peito.

Foram caçados e seqüestrados
Tirados de sua terra e sua gente.
Muitos jogados ao mar, assassinados.
Indefesos, sofrendo tudo impunemente.

E num País tomado pela segregação
Onde até calçadas distintas existiam,
Para separar irmão de irmão
Dependendo da cor, que suas peles exibiam.

Onde Negros só podiam, pela Pátria lutar,
Sem nenhuma divisa oficial envergar.
Onde não podiam nem votar.

Quanto mais à Presidência concorrer
Vemos hoje, um fenômeno acontecer
E um Presidente Negro se eleger.

Os rumos da História mudando.
Justiça em fim se fazendo.
O Sonho Americano se concretizando.
Liberdade e Igualdade, finalmente estamos vendo.

E assim, quem não lembre,não há
De Luther King, o famoso brado de esperança:
“Como um Povo, Sim, Nós Podemos.”
À terra prometida chegar.

Sim, Luther King, você também chegou lá.
Vitorioso, através do seu irmão.
Derrubando barreiras, expandindo fronteiras.
Fazendo sorrir e chorar e novamente acreditar.
Unida. Toda Uma Nação.

Que Deus Abençoe o Presidente


Conflito

novembro 8, 2009

Copa

Estou aqui, nesse cenário maravilhoso, com a alma transbordando de emoções conflituosas, sem conseguir me decidir sobre o que escrever, apesar de tanta emoção latente.
Penso que deveria falar da tão necessária conscientização sobre a finitude de nossas reservas naturais, da necessidade de sermos solidários com o próximo, e vivermos mais em prol do coletivo, sem etnocentrismo, sem se focar em esteriótipos e preconceitos que sempre serão injustos com as minorias, que na verdade são a maioria em todas as populações.
Porem diante da magnitude de tanta beleza, percebo minha insignificância e penso em minha própria finitude. E uma grande tristeza se abate em mim. Lembro dos divulgados clichês que todos nós já ouvimos de outros e nós mesmos falamos pra outros tantos:
1- A vida é o aqui e o agora.
2- Não deixes para amanhã, o que podes fazer hoje.
3- Faça hoje, porque o amanhã pode nunca acontecer.
4- A vida é muito curta, por isso viva intensamente.
E outros mais…
E penso na inutilidade de tanto ensinamento vazio, porque na verdade o que de fato acontece, é um exercício desgastante de auto controle e paciência, quando o que mais desejamos é nos entregarmos de corpo e alma à emoção que nos invade e viver intensamente cada segundo dessa emoção antes de chegarmos a nossa própria finitude.
E isso nunca é possível por algum motivo que foge a nossa competência. Então resta-nos uma decepcionante sensação de impotência, e a única possibilidade de consolo é se agarrar desesperadamente ao Pensamento Positivo , e acreditar firmemente, com todas as forças do coração, que o que a mente concebe, ela consegue.

“ O que a mente (…) pode conceber ela pode conseguir”.
(W.Clemente Stone)

Fonte da Figura: http://www.copacabana.com