Catarse

outubro 28, 2010

De repente a comporta rompeu. A verdade explodiu diante de mim. Esclarecendo os conflitos não entendidos. A opressão que castiga sem se identificar. Foi como um clarão no meio da noite.
Percebi que os momentos que mais gosto de me lembrar são os que me foram mais difíceis de atravessar. Como eu me sentia forte ao vencer uma batalha… Como eu me sentia importante por me saber necessária a alguém, que não eu mesma… Como eu me sentia útil por viver para servir alguém que não eu mesma.
E então constatei que comecei a me sentir muito infeliz, quando atingi uma situação de tranqüilidade serena, onde nada mais me era exigido. Nem ser forte, nem ser útil. Apenas dormir, comer, dormir… e esperar. Esperar a morte chegar. Aí comecei a não ver mais expectativas, e desejar mil aventuras impossíveis, porque não agüentava o tédio de viver a esperar nada de assombroso ou espetacular.
Lembrei-me da história de São Francisco, que só se realizou ao trocar a vida fácil por um caminho difícil, e enfim entendi a escolha.
Lembrei-me de meu pai, com o qual me pareço bastante, e também enfim entendi, porque ele se foi tão cedo e tão inexplicavelmente de repente.
Ele era como eu. Ativo, agitado, não suportava ficar parado, amava o movimento, os desafios, as batalhas e as vitórias. O sossego o matou.
Enfim esse entendimento me trouxe outras libertações, e todos os meus demônios se foram. Entendi que a felicidade que busco, não está em um companheiro, como pensava, e sim dentro de mim. No ato de ser útil, de poder servir; Não a um companheiro, mas a qualquer pessoa a quem possa doar o melhor de mim. A força de vencer batalhas, o servir útil e necessário, a coragem de enfrentar desafios e obstáculos.
Um guerreiro tem que morrer lutando. Ou sua morte será inglória.

Ps: Ao terminar essa limpeza, uma forte ânsia de vômito me acometeu, como se de fato toda essa emoção (meus demônios interiores), tivesse sido arrancada de dentro de mim. Deixando-me limpa, purificada, e muito, muito leve.

“Viver significa lutar”.
(Sêneca)

Fonte da Figura:
fbu.com.br

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Tropa de Elite 2 “Sem Solução para a Corrupção”

outubro 18, 2010

O filme Tropa de Elite 2, é chocante.
O codinome em vez de ser: “O inimigo agora é outro”;
Deveria ser: “Sem Solução para a Corrupção”.
Enquanto o filme “Nosso Lar” traz esperança.
Esperança “Pós-Vida”, é verdade. O Tropa, que com certeza, também será um campeão de bilheteria, provavelmente com o dobro de sucesso, porque o choque e o desespero movem mais que a mansidão e a esperança.
Ao invés da esperança do Lar, o Tropa traz exatamente o inverso. A falta total de esperança no futuro. O filme mostra toda a podridão do Sistema, e ainda, que a podridão se regenera indefinidamente. Sempre é deixada uma maçã podre no cesto, para apodrecer às outras.
E os co-mandantes ao se verem obrigados a largar o comando, seja pelo motivo que for, inclusive prazo expirado, sempre dão um jeitinho de deixarem o lugar para seus co-mandados pistoleiros, milicianos, ou o que sejam, não importa, o importante mesmo é que sejam da mesma tropa, e os co-mandantes continuem no poder, nos bastidores, e assim o Sistema continua podre.
A pobre jornalista é violentada, morta e carbonizada. Mas sem corpo, ninguém sabe de nada, ninguém viu nada. E fica tudo por isso mesmo. Essa é apenas uma entre outras barbáries do filme.
Realmente o filme choca. E todos saem do cinema cabisbaixos e desesperançados.
E como não podia deixar de ser, a legenda principal do filme, que não chegaria aos telões, na época da censura, é a mesma desta crônica, que nada mais é, que um trabalho de expressão artística.

A Legenda: “Toda e qualquer semelhança com a realidade, é mera coincidência. Esta é uma obra de ficção”.

“A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano”.
(Voltaire)

Fonte das Figuras:
entretenimento.r7.com
entretenimentonews.com


Conto do não Ser

outubro 10, 2010

Estava eu em meu quarto, a pensar em como podemos ser tão pequenos intelectualmente, que por mais que saibamos, seremos sempre leigos de saber. E assim cheguei à conclusão de que realmente nada somos.
Pensava apenas em termos de intelecto. E eis que, do nada, sem aviso prévio, sinto uma forte tonteira. Creio se tratar de pressão arterial alta. Levanto com a intenção de pegar o aparelho de pressão, para aferi-la, tudo escurece a minha volta, o quarto gira vertiginosamente, e caio pesadamente.
Com imensa dificuldade, tudo rodando em volta, pesando uma tonelada, em câmara lenta, controlando cada movimento, dos olhos, da cabeça, e do corpo como um todo; e contando cada passo vagarosamente, consigo finalmente me levantar, pegar o aparelho e chegar até minha cama.
Fico ali prostrada, com os olhos fechados, com medo de abri-los, e de me mexer.
Contando apenas com o tato, coloco o aparelho e o aciono. Constato que a pressão está realmente alta. Ainda no tato pego o remédio que está sempre à mão, no criado junto à cama, e permaneço quieta a espera do efeito.
Acho que cochilo, algum tempo depois, me sinto desfalecendo. Aciono novamente o aparelho que continua preso ao pulso. Me assusto, a pressão que estava nas alturas, agora despencou. Fico agitada sem saber o que fazer.
Estou sozinha em casa. Não posso contar com ajuda próxima; Esse pensamento dispara meu coração, começo a sentir taquicardia. Aciono outra vez o aparelho. Agora a pressão está outra vez nas alturas. Percebo que estou em um processo de pressão oscilante, o que pode ser muito perigoso. Sinto falta de ar. Então decido que é hora de pedir socorro.
Mas para isso é prioritário chegar à janela, pois os meus telefones são da TIM, e apesar da TIM fazer mil propagandas enganosas de implantação de antenas levando o sinal a todos os lugares, e o slogan de TIM sem fronteiras. Eu não consigo sinal para os meus números, dentro do meu quarto no centro da cidade maravilhosa. E me vejo enfronteirada, sem poder pedir ajuda, porque não posso chegar à janela, abri-la, e levantar o celular em direção ao céu para captar o famoso sinal sem fronteiras da TIM.
Enfim resolvo que a ficar em agonia e impotente, é melhor tomar um ansiolitico e dormir sem me preocupar com o efeito. No dia seguinte saberei se melhorei, ou alguém saberá se piorei. Pelo menos me isentarei da agonia e impotência.
E enquanto espero pelo abençoado “sono”, Penso: Nada somos, realmente, e não só intelectualmente. Num momento estamos ótimos, e no seguinte somos um pobre farrapo de gente. A morrer impotentes, sem forças nem para pedir socorro. Como somos pequenos e insignificantes. Pensamos ser muita coisa, mas na realidade nada somos.
A única coisa grande em nós, é a fragilidade humana. E é importante que tenhamos sempre em mente esta verdade.
É por isso, que conto meu Conto.

“Nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos”.

(Heráclito)


Fonte das Figuras: Mundodastribos.com carrefour.com.br


Crise Existencial

outubro 9, 2010

Não sou nada! Sempre que esta constatação se faz é acionada uma trava que paralisa tudo, e até mesmo chega à falência.
Fica sem sentido ser mais. Pois se nada sou, como ser mais?
Mais o quê?… Mais nada?…
Um nada já é tanto, e um tanto de nada, o que seria?
Apesar de não SER; Penso.
E pensando em busca de solução, penso que: Se conseguisse me conectar a massa do todo existente, me tornando una com o Universo…Energético?… Vibracional?…
Então deixaria de Não SER.
Mas a ínfima “Poeirinha da Poeira” (Nietzs), que persiste em meu não Ser, não me deixa deixar de Ser.
Ser mais, ou apenas, SER.

“É necessário ter o caos aqui dentro para gerar uma estrela”.
(Friedrich Nietzsche)

Fonte das Figuras:
blogs.abril.com.br
superorbital.blogspot.com